Bancos Comunitários – Ministério do Trabalho e Emprego

Data de Publicação: 
17/10/2011 - 19:30

Movimentos Sociais em Parceria com a SENAES Inauguram em agosto Quatro Bancos Comunitários na Cidade de São Paulo.

“O crédito faz a ponte entre o presente e o futuro”. Essa frase de John Maynard Keynes foi utilizada pelo Secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, no dia 5 de junho durante ato de lançamento, na Câmara Municipal de São Paulo, de quatro bancos comunitários. A frase reflete a importância dessa iniciativa em comunidades que, em muitos casos, não tem acesso ao crédito, nem tampouco aos serviços bancários. Os bancos comunitários são projetos de apoio à economia popular de municípios de baixo Indíce de Desenvolvimento Humano e prestam serviço financeiro solidário em rede de natureza associativa e comunitária. Além disso, os bancos comunitários atuam para a geração de trabalho e renda promovendo a economia solidária. Os bancos comunitários são de propriedade da comunidade, que também é responsável por sua gestão.

Nos dias 6 e 7 de junho foram inaugurados quatro bancos comunitários em São Paulo. Esse lançamento faz parte do projeto Moradia Solidária e vem sendo desenvolvido pelos seguintes Movimentos de Moradia: Sem Terra da Zona Norte, Paulo Freire, Vista Linda e União dos Movimentos de Moradia Independentes da Zona Sul (UMMIZS). Tais movimentos contam com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo (ITCP/USP).

Esse projeto foi realizado com o recurso da emenda parlamentar do ex-Deputado Federal Roberto Gouveia e foi executado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária em parceria com o Instituto Palmas. Os bancos estão localizados nas quatro extremidades de São Paulo, sendo o Banco Comunitário Apuanã na Zona Norte, Banco Comunitário Autogestão na Zona Sul, Banco Comunitário Vista Linda na Zona Oeste e o Banco Comunitário Paulo Freire na Zona Leste.

De acordo com a Gerente do Banco Apuanã, Hilda Pires,“para muita gente da comunidade esse banco era apenas um sonho e hoje estamos vendo que ele se tornou realidade. Hoje, estamos realizando um projeto que permite que as pessoas trabalhem, consumam e produzam dentro da nossa comunidade”, diz. A realização desse sonho começou a ser concretizada há um ano, quando seis membros da comunidade fizeram curso de formação oferecido pela ITCP/USP juntamente com o Laboratório de Extensão da USP que tinha como objetivo a formação em economia solidária, assim como a formação para os princípios e estratégias dos bancos comunitários.

Os quatro bancos comunitários criados em São Paulo deverão integrar uma Rede que hoje possuí 44 bancos em todo país. Esse projeto foi inspirado na experiência do conjunto Palmeiras, Ceará, quando alguns membros da comunidade perceberam que ali não existia uma situação de pobreza, mas sim, uma situação de empobrecimento, já que toda a renda da comunidade era gasta fora dela. A partir de então, surgiu à idéia de um banco para comunidade, para fazer com que os recursos girassem dentro da própria comunidade. Uma particularidade desse banco é a utilização da moeda social, instrumento que incentiva e fortalece o desenvolvimento local. Essa moeda deverá ser utilizada apenas dentro daquela comunidade específica, e para que ela gere resultados é necessário que os empreendimentos locais a aceitem. Para Singer, “moeda social é um instrumento que permite criar um território próprio, além de criar uma proteção aos novos empreendimentos que serão geridos pela comunidade. A partir da utilização das medas sociais é possível desenvolver economia própria e ter uma área de produção coletiva e autogestionária”, afirma.

Fonte: Boletim Informativo – Número 5 – Acontece SENAES