Três novas favelas do Rio ganharão moeda própria.

Data de Publicação: 
21/09/2011 - 00:30

Depois da criação de uma moeda própria para a Cidade de Deus, o governo brasileiro considera a possibilidade de que outras três favelas do Rio de Janeiro também passem pela mesma experiência. Por enquanto, Complexo do Alemão e Santa Marta são cotados, informa Haroldo Mendonça, diretor substituto do departamento de Economia Solidária do Ministério do Trabalho. 

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O prefeito Eduardo Paes e o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa lançam a moeda CDD ao lado de personalidades da Cidade de Deus

 

Dayanne Sousa

Depois da criação de uma moeda própria para a Cidade de Deus, o governo brasileiro considera a possibilidade de que outras três favelas do Rio de Janeiro também passem pela mesma experiência. Por enquanto, Complexo do Alemão e Santa Marta são cotados, informa Haroldo Mendonça, diretor substituto do departamento de Economia Solidária do Ministério do Trabalho.

A Cidade de Deus, na zona oeste da capital carioca, ganhou sua moeda, o CDD, nesta quinta-feira (15). As moedas sociais, como são chamadas, têm o objetivo de estimular o comércio local, evitando que os moradores deixem a comunidade para fazer compras em regiões vizinhas. Ao usar o CDD, o consumidor pode ganhar descontos em lojas de dentro da favela. Segundo Mendonça, a ideia deve ser ampliada ainda este ano em parceria com a Prefeitura do Rio.

- Não existe bairro pobre, existe bairro empobrecido. As poupanças desses moradores são deslocadas para regiões mais desenvolvidas - resume o diretor.

Atualmente, existem 53 moedas sociais em todo o Brasil. O CDD, porém, é a primeira carioca. Uma parte dessas moedas hoje circula em comunidades mais isoladas, indígenas ou quilombolas, explica Mendonça. Há experiências em comunidades pobres urbanas, porém, em São Paulo e no Espírito Santo. Nenhuma tão grande como a Cidade de Deus.

Segurança

A implantação desse projeto na Cidade de Deus ganhou relevância simbólica. "O Rio é a vitrine do Brasil", justifica Mendonça. "A Cidade de Deus é emblemática por estar dentro de um grande centro urbano e por ter uma história de discussão com a violência", destaca.

Qualquer moeda social tem paridade com o Real e é trocada em bancos comunitários instalados dentro da localidade. O diretor reconhece que há riscos em levar adiante uma moeda paralela em regiões afetadas pelo tráfico de drogas ou por milícias. Por enquanto, o Ministério não tem dados sobre falsificações ou câmbio não autorizado.

A fiscalização, diz Mendonça, cabe à comunidade:

- Uma marca da Cidade de Deus é sua organização social muito forte. Nós contamos com isso para coibir desvios. É a comunidade que vai permitir que irregularidades possam ser comunicadas. É o poder do povo.

O Ministério e a prefeitura do Rio deverão discutir a expansão do programa na cidade ao longo das próximas semanas, quando deve ser escolhida a próxima comunidade a ganhar uma moeda própria. Tanto o Alemão como Santa Marta tem um histórico de luta contra o controle do tráfico. Santa Marta é considerada uma comunidade pacificada, mas o Alemão está sob ocupação do Exército, que tenta impedir o retorno do crime organizado.