USP e MIT levam inovação tecnológica para comunidade carente

Data de Publicação: 
08/03/2011 - 13:00

As primeiras ações de uma parceria envolvendo o Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP e o MIT D-Lab (Design Lab), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, acabaram de ser entregues para os moradores da comunidade Zé Mineiro, em Embu, na Grande São Paulo. O projeto tem por objetivo desenvolver tecnologias apropriadas para o atendimento de necessidades de comunidades de baixa renda e de projetos sociais.

Os moradores da comunidade Zé Mineiro receberam tampas para os poços de água que servem a comunidade; bombas d'água; arquibancada coberta para o campo de futebol e um parquinho de diversões para crianças.

Inovações tecnológicas baratas

Partindo da ideia original do projeto - a de oferecer inovações tecnológicas que não necessitem de muito investimento - os pesquisadores implementaram essas ações utilizando materiais de baixo custo e recicláveis, facilmente encontrados na comunidade, como pneus velhos, plástico PVC, madeiras, baldes e canos.

A professora Tereza Cristina Carvalho, coordenadora do LASSU, explica que não há água encanada no local e o recurso é conseguido através de poços caseiros feitos pelos moradores. O problema é que esses poços estavam abertos, facilitando a entrada de sapos, insetos e sujeiras na água.

De acordo com a professora uma das intenções do projeto é transferir o conhecimento para a comunidade. "Entregamos uma tampa para um dos poços, feita com materiais da região, como restos de madeira de construção e plástico. Desta forma, podemos ensinar aos moradores como construir a tampa e eles mesmos ficaram responsáveis pela construção das coberturas dos outros poços", explica a coordenadora do projeto no Brasil.

Segundo a professora, os pesquisadores também fizeram testes na água para verificar se havia contaminação.

 

Bombas alternativas

No mesmo dia os moradores receberam bombas para facilitar a captação da água, construídas com materiais alternativos, como baldes, canos e plásticos.

O grupo fez um protótipo e deixou instruções sobre como construir outras bombas d'água. Já o parquinho de diversões oferece vários brinquedos produzidos com material reciclado vindo de um centro de reciclagem próximo e com troncos de árvores. Enquanto o campo de futebol ganhou uma arquibancada, também construída com material reciclável.

No mesmo dia os moradores receberam bombas para facilitar a captação da água, construídas com materiais alternativos, como baldes, canos e plásticos. [Imagem: Tereza Cristina Carvalho]Os alunos também elaboraram um cartaz com informações educativas sobre a importância de procedimentos de higiene para a saúde, como lavar as mãos, e as frutas e verduras. "O cartaz tem grande apelo visual, pois nem todos os moradores da comunidade sabem ler e escrever", conta a professora.

O MIT D-Lab atua em 7 países de economia emergente e, no Brasil, vem atuando desde 2004 em conjunto com a USP. A parceria com o LASSU começou em 2010. Neste ano, a abordagem empregada consistiu na definição de três áreas de atuação (água, entretenimento e educação). Nos primeiros dias foram realizadas diversas visitas à comunidade do município de Embu, visando identificar problemas em cada uma dessas categorias, por equipes compostas por membros da comunidade além de alunos da USP, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-Sorocaba) e do MIT.

 

Responsabilidade social

 

O grupo que trabalhou com a comunidade Zé Mineiro, em Embu, é composta por 10 alunos do MIT D-Lab, 9 da USP (6 do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) e 2 da Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica e 1 do Instituto de Psicologia), além de 3 da UFSCar-Sorocaba.

Parte desta equipe está agora em Manaus, onde uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Fundação Bradesco pretende levar a iniciativa para as comunidades carentes locais.

Para a professora Tereza, além de auxiliar o desenvolvimento das comunidades envolvidas, a iniciativa também traz benefícios aos alunos participantes. "Muitos alunos da Poli sabem tudo a respeito de circuitos elétricos complexos, mas não sabem instalar uma rede elétrica de uma casa, pois é um conhecimento mais relacionado ao nível técnico. Este projeto coloca o aluno em contato com esse tipo de situação. Ele acaba tendo contato com uma outra realidade e se torna mais sensível para os problemas sociais", destaca a professora.

Para ela, quando este aluno estiver no mercado de trabalho, vai levar toda essa carga de aprendizado e será um líder mais consciente de sua responsabilidade social.

Neste primeiro projeto participaram mais alunos da Engenharia de Computação, mas de acordo com a professora, pretende-se estender a participação para todos os estudantes da USP, de todas as áreas do conhecimento e, também, de outras universidades brasileiras e também da América do Sul.

 Valéria Dias - Agência USP - 03/02/2011